Nova Bolsa – Fusão Bovespa e BM&F » Societária - 1/7/2008

A união entre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), anunciada no final de março desse ano, colocou o Brasil entre os grandes centros financeiros globais.
 A Nova Bolsa, nome provisório da empresa, deu origem a terceira maior bolsa de valores do mundo, atrás apenas da Bolsa Mercantil de Chicago (Chicago Mercantile Exchange - CME) e da Bolsa de Valores da Alemanha. A Nova Bolsa será a maior dos países emergentes, ficando, inclusive, à frente da Bolsa de Valores de Hong Kong.
 O valor de mercado da Bovespa e da BM&F somados seria de aproximadamente US$18,1 bilhões, superando a Bolsa de Valores de Nova York (New York Stock Exchange – Nyse), com US$17,7 bilhões e bem acima da Nasdaq (North American Securities Dealers Automated Quotation System), com US$ 4,7 bilhões.
 A Nova Bolsa também será a maior da América Latina nos mercados de ações e derivativos, com participação de cerca de 80% do volume médio diário negociado em ações e negócios diários no mercado futuro, no valor de US$ 67 bilhões.
 A fusão da Bovespa e da BM&F segue uma tendência mundial. Exemplo da imprescindibilidade desse movimento é a recente fusão entre a Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) e a européia Euronext, além da aquisição da Bolsa Mercantil de Nova York (New York Exchange – Nymex) pelo CME Group, controlador da Bolsa Mercantil de Chicago.
 É consenso entre os especialistas que essa onda de fusões e aquisições vai continuar até que menos de dez grandes bolsas concentrem quase a totalidade dos IPOs e das negociações mundiais de ações, contratos futuros e derivativos.
 Assim, apesar de a Bovespa sozinha ser avaliada em US$ 10 bilhões, valor superior a bolsa de valores de outros países emergentes, como a Bolsa da Índia, com US$ 1,2 bilhão, ou a da China, com US$ 3 bilhões, separadas, Bovespa e BM&F corriam o risco de cair na irrelevância em uma época de exponencial crescimento do mundo financeiro globalizado.
 Referida união amplia a atuação do Brasil no mercado financeiro e possibilita que o país tenha um papel cada vez mais relevante na economia mundial.
 Efetiva integração das duas bolsas somente será oficializada se aprovada pelas respectivas assembléias de acionistas mas já se cogitam os nomes do presidente executivo e do presidente do conselho da nova empresa.
 O conselho de administração da Nova Bolsa será composto, paritariamente, por representantes indicados pela Bovespa e pela BM&F, tendo maioria de membros independentes. Até o dia 31 de dezembro de 2008 estará ativo um comitê de transição, do qual farão parte os respectivos presidentes e diretores-gerais das companhias.
 Ao comitê de transição caberá, num prazo de sessenta dias, a indicação do novo presidente do conselho de administração e do novo diretor-geral da Nova Bolsa. Até que ocorra essa indicação, a presidência do conselho de administração será ocupada pelos atuais presidentes do conselho de administração de cada uma das companhias, e os dois executivos principais das empresas ficarão com o cargo de diretores-gerais da Nova Bolsa.
 Os nomes mais fortes para os cargos são justamente dos maiores responsáveis pela criação da Nova Bolsa: Raymundo Magliano Filho, presidente do conselho de administração da Bovespa, e Manoel Feliz Cintra Neto, que ocupa o mesmo cargo na BM&F.
 No comando de suas respectivas bolsas, Magliano e Cintra Neto já haviam tentado juntar as duas instituições há alguns anos, mas a negociação não teve seguimento. A discordância em relação ao valor de mercado de cada uma das bolsas acabou sendo uma barreira intransponível. Os executivos da Bovespa alegavam que a bolsa paulista valia mais que a bolsa de futuros, enquanto
que os executivos da BM&F defendiam justamente o contrário.
 A desmutualização das duas bolsas, seguida da abertura de capital, no ano passado, abriu o caminho para o entendimento declarado há pouco. Por fim, a possibilidade da Chicago Mercantile Exchange (CME) elevar a participação na BM&F acelerou e arrematou as negociações.
 A reorganização societária da nova entidade, que será uma companhia aberta, resultará na emissão de ações ordinárias aos acionistas da Bovespa e da BM&F, na proporção de 50% para cada uma. 
 Ademais, em razão do valor de mercado da Bovespa ser superior ao da BM&F, os acionistas da bolsa paulista receberão um adicional em dinheiro de R$ 1,24 bilhão. O valor será rateado de acordo com a quantidade de ações que cada acionista possui.
 A integração garante que, agora, as bolsas estarão blindadas contra tentativas de terceiros de adquirir uma das duas empresas.
 Também representa uma redução de custos às duas companhias. Bovespa e BM&F, com mais visibilidade, atrairão mais negócios e, conseqüentemente, conseguirão uma redução de, no mínimo, 25% em seus custos operacionais. No Brasil, a queda no custo das transações será bem-vinda, uma vez que a Bovespa apresenta uma das maiores taxas entre todas as bolsas do mundo
 Além disso, o acordo cria um monopólio que é muito interessante para os acionistas e que evita distorções de preço nos mercados.
 O dinamismo do mercado brasileiro tem ampliado a participação do Brasil na economia mundial e garantido o crescimento das companhias do país, que têm se tornado mais importantes. A criação da superbolsa e seus planos de expansão são o resultado dos novos tempos.

 

Carolina de Carvalho Zanon
Advogada, especialista em Direito Contratual

 

 
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